Seminários NIED-CERES recebem Carlos Antônio Costa Ribeiro, Adriano Senkevics e e Flávio Carvalhaes
Os palestrantes apresentam o painel "Meritocracia para quem? Raça, renda e desempenho acadêmico no acesso ao ensino superior brasileiro".
No dia 26 de agosto de 2021, às 17h, os Seminários NIED-CERES recebem o Prof. Carlos Antônio Costa Ribeiro (IESP-UERJ), coordenador do CERES, e os pesquisadores Adriano Senkevics (INEP), e Flávio Carvalhaes (IFCS-UFRJ) para discutirem suas pesquisas conjuntas na palestra Meritocracia para quem? Raça, renda e desempenho acadêmico no acesso ao ensino superior brasileiro. Para participar do seminário através da plataforma Zoom, basta se inscrever através deste link. O seminário pode ser assistido também através do canal do ciclo no YouTube.
Pesquisas recentes mostraram que, apesar da expansão do ensino superior no Brasil, um padrão de desigualdade persistente é prevalente. Até o momento, a maioria dos estudos descreveu o efeito das desigualdades socioeconômicas com pouca ou nenhuma atenção à interação entre medidas da origem social dos estudantes (ex: renda familiar per capita) e o desempenho acadêmico dos estudantes. Tampouco a importância da auto-declaração racial dos estudantes foi analisada em conjunto a esses fatores. Em contraste, nossos objetivos são: (i) apresentar os efeitos diretos e indiretos da renda familiar per capita dos estudantes e sua combinação com raça na transição para o ensino superior, e (ii) medir até que ponto os alunos de origens privilegiadas de diferentes grupos raciais são capazes de compensar baixos desempenhos acadêmicos. Nossos dados derivam de um painel de egressos do ensino médio acompanhados entre 2012 e 2017 e nos permitem descrever as seguintes descobertas. Em primeiro lugar, a probabilidade de ingressar no ensino superior é sempre maior entre os candidatos de com renda familiar mais alta. Em segundo lugar, há uma convergência notável nas probabilidades de admissão ao longo da escala de desempenho. Terceiro, a curva de admissão é muito mais íngreme entre os candidatos com renda familiar baixa. Em todos esses resultados, estudantes auto-declarados como pretos, pardos ou indígenas têm menores probabilidades de transição para o ensino superior, mesmo estando nos mesmos estratos de renda e desempenho. Ao decompormos os efeitos raciais, mostramos que o hiato racial se deve às diferenças de desempenho de alunos brancos e negros. Ou seja, os resultados deste artigo apontam que os mecanismos de estratificação de renda e raça na transição para o ensino superior no Brasil são distintos. Uma versão preliminar dos trabalhos discutidos pode ser acessada aqui.
A apresentação integra os Seminários NIED-CERES, uma realização do CERES com o Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Desigualdade (NIED-UFRJ).