CERES lança estudo inédito sobre o impacto da violência urbana na Educação de Jovens e Adultos no Rio de Janeiro

No dia 28 de outubro de 2025, a Fundação Roberto Marinho promoveu, no Museu do Amanhã, um evento de lançamento da pesquisa "Educação de Jovens e Adultos e Violência Urbana na Metrópole do Rio de Janeiro."

Na última sexta-feira, 28 de outubro de 2025, a Fundação Roberto Marinho (FRM) promoveu, no Museu do Amanhã, um evento de lançamento da pesquisa Educação de Jovens e Adultos e Violência Urbana na Metrópole do Rio de Janeiro. Realizado no Museu do Amanhã, no centro da cidade do Rio, o evento contou com a participação dos coordenadores do estudo, Rogério Jerônimo Barbosa, Michel Misse Filho (IESP-UERJ/CEBRAP) e Valéria Cristina Oliveira (FaE-UFMG), além de outros integrantes de nossa equipe e de representantes das instituições parceiras.

Desenvolvido por uma parceria entre o CERES, o Instituto Fogo Cruzado (IFC) e o Núcleo de Pesquisa em Desigualdades Escolares da Universidade Federal de Minas Gerais (Nupede) e viabilizado por iniciativa da FRM, o projeto investigou as relações entre a violência armada na Região Metropolitana do Rio de Janeiro e a redução das oportunidades educacionais na região, com o propósito de analisar de que modo a violência urbana afeta a oferta e a demanda, assim como a qualidade dessa modalidade de ensino.

A dinâmica dos tiroteios na Região Metropolitana do Rio tem prevalência no período noturno — justamente aquele em que se concentram a esmagadora maioria das turmas de EJA. Em 2017, por exemplo, 411 tiroteios foram registrados no entorno de escolas com EJA, dos quais 325, ou cerca de 80%, ocorreram à noite, e embora em 2023 esse número tenha caído para 232 eventos (93 noturnos), a maioria ainda ocorria à noite. A violência armada continua reorganizando o cotidiano escolar, atrasando a saída de casa, obrigando estudantes a mudar de rota ou simplesmente a desistir da aula naquele dia. Cada ida à escola à noite é também uma negociação cotidiana com o medo e com a possibilidade concreta de interrupção de sua trajetória educacional

Rogério Jerônimo Barbosa, coordenador do CERES

Em um país atravessado por profundas desigualdades sociais, econômicas e raciais, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) se afirma não apenas como uma modalidade de ensino, mas como uma política pública essencial, destinada a reparar trajetórias interrompidas e a assegurar que milhares de jovens, adultos e idosos tenham acesso à educação formal, negado a muitos no período regular de escolarização. É nesse contexto que se insere este levantamento, buscando oferecer uma contribuição relevante sobre os desafios para assegurar o direito à educação em territórios impactados por uma política de segurança pública ineficaz no enfrentamento da criminalidade. O descompasso dessa política resulta na violação de direitos fundamentais, entre os quais a educação.

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